Programados desde a infância

“Todos nascemos originais e morremos cópias”

(Jung)

 

 

Desde o nascimento, vamos sendo orientados e formatados no sentido de nos adaptarmos ao meio e cultura envolventes.

Desde os pais, família e amigos, aos professores, somos pequenas esponjas inconscientes, absorvedoras de suas crenças, regras, princípios, gestos, atitudes, sotaques, etc…

Toda esta programação inconsciente faz-me lembrar uma história simbólica e muito simples de Helen Buckley.

 

 

 

O menininho

Helen E, Buckley, 1961

 

“Era uma vez um menininho bastante pequeno que contrastava com a escola bastante grande. Quando o menininho descobriu que podia ir à sua sala caminhando pela porta da rua, ficou feliz. A escola não parecia tão grande quanto antes.

 

Uma manhã, a professora disse:

– Hoje nós iremos fazer um desenho.

“Que bom!”- Pensou o menininho.

Ele gostava de desenhar leões, tigres, galinhas, vacas, trens e barcos…

Pegou a sua caixa de lápis de cor e começou a desenhar.

A professora então disse:

– Esperem, ainda não é hora de começar!

Ela esperou até que todos estivessem prontos.

– Agora, disse a professora, nós iremos desenhar flores.

E o menininho começou a desenhar bonitas flores com seus lápis rosa, laranja e azul.

A professora disse:

– Esperem! Vou mostrar como fazer.

E a flor era vermelha com caule verde.

– Assim, disse a professora, agora vocês podem começar.

O menininho olhou para a flor da professora, então olhou para a sua flor.

Gostou mais da sua flor, mas não podia dizer isso…

Virou o papel e desenhou uma flor igual à da professora. Era vermelha com caule verde.

Num outro dia, quando o menininho estava em aula ao ar livre, a professora disse:

– Hoje nós iremos fazer alguma coisa com o barro.

– “Que bom!” Pensou o menininho.

Ele gostava de trabalhar com barro.

Podia fazer com ele todos os tipos de coisas: elefantes, camundongos, carros e caminhões.

Começou a juntar e amassar a sua bola de barro.

Então, a professora disse:

– Esperem! Não é hora de começar!

Ela esperou até que todos estivessem prontos.

– Agora, disse a professora, nós iremos fazer um prato.

“Que bom!” – Pensou o menininho.

Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos.

A professora disse:

– Esperem! Vou mostrar como se faz. Assim, agora vocês podem começar.

E o prato era um prato fundo.

O menininho olhou para o prato da professora, olhou para o próprio prato e gostou mais do seu, mas ele não podia dizer isso.

Amassou seu barro numa grande bola novamente e fez um prato fundo, igual ao da professora.

E muito cedo o menininho aprendeu a esperar e a olhar e a fazer as coisas exatamente como a professora.

E muito cedo ele não fazia mais coisas por si próprio.

Então aconteceu que o menininho teve que mudar de escola.

Essa escola era ainda maior que a primeira.

Um dia a professora disse:

– Hoje nós vamos fazer um desenho.

“Que bom!”- Pensou o menininho e esperou que a professora dissesse o que fazer.

Ela não disse.

Apenas andava pela sala.

Então veio até o menininho e disse:

– Você não quer desenhar?

– Sim, e o que é que nós vamos fazer?

– Eu não sei, até que você o faça.

– Como eu posso fazê-lo?

– Da maneira de que você gostar.

– E de que cor?

– Se todo mundo fizer o mesmo desenho e usar as mesmas cores, como eu posso saber o que cada um gosta de desenhar?

– Eu não sei.

E então o menininho começou a desenhar uma flor vermelha com o caule verde…”

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Comunicar criando e a arte de crescer

 

“Criar é dar forma a alguma coisa e toda a forma é forma de comunicação ao mesmo tempo que é forma de realização.”

(Fayga Ostrowe)

 

Para Fayga Ostrower, a natureza criativa do homem elabora-se no contexto cultural, regido pela sua realidade social, com necessidades e valores culturais que moldam os próprios valores de vida. Assim, num indivíduo, confrontam-se dois polos de uma mesma relação; a sua criatividade que representa as potencialidades de um ser único, e a sua criação que será a realização dessas potencialidades já dentro do quadro de determinada cultura. “O consciente racional nunca se desliga das atividades criadoras; constitui um fator fundamental de elaboração. Retirar o consciente da criação seria mesmo inadmissível, seria retirar uma das dimensões humanas”.

Fayga considerava que o homem contemporâneo vive alienado de si mesmo, de seu trabalho, das suas possibilidades de criar e de realizar na sua vida conteúdos mais humanos. Em vez de se integrar como ser individual, o ser humano sofre um processo de desintegração confrontando-se com as múltiplas funções que deve exercer, pressionado por múltiplas exigências e bombardeado pelo fluxo ininterrupto de informações contraditórias, em aceleração crescente que quase ultrapassa o ritmo orgânico da sua vida.

Além da linguagem verbal, a nossa capacidade de comunicar conteúdos expressivos expande-se por outras formas de comunicação simbólica. Aliás, se remontarmos às origens, apercebemo-nos da nossa capacidade de comunicarmos por meio de ordenações, isto é, através de FORMAS.

 

“No que o homem faz, imagina, compreende, ele o faz ordenando. Se a fala representa um modo de ordenar, o comportamento também é ordenação. A pintura é ordenação, a arquitetura, a música, a dança, ou qualquer outra prática significante. São ordenações, linguagens, formas; apenas não são formas verbais.”

(Fayga Ostrower)

Célestin Freinet, crítico da escola tradicional e das escolas novas, criou em França o movimento da escola moderna, com o objetivo básico de desenvolver uma escola popular. Freinet defendia uma aprendizagem pela experiência e chama mesmo de infeliz a educação que pretende, pela explicação teórica, fazer crer aos indivíduos que podem ter acesso ao conhecimento pelo conhecimento e não pela experiência. A assim ser, apenas produziria doentes do corpo e do espírito, falsos intelectuais inadaptados, homens incompletos e impotentes.

 

 

A Formação Social da mente de Vigotsky expõe os aspetos do comportamento humano ao longo do seu desenvolvimento.

Kohler e Buhler concluíram nas suas experiências que a inteligência é independente da fala pois mesmo as crianças que ainda não falam são capazes de resolver alguns problemas, sem o apoio da linguagem.

Por meio de gestos, a criança compensa a sua dificuldade em comunicar através da fala, utilizando fatores internos e externos para se adaptar e superar dificuldades encontradas.

Muitas vezes, o ser humano, confrontando-se com dificuldades, faz uso de objetos neutros, dando-lhes um significado para além da sua própria funcionalidade.

Na comunicação fazemos uso de variadíssimas técnicas e formas, devendo estar atentos a todas, para uma leitura e análise mais completas e melhor perceção da realidade.

 

A expressão não verbal existe desde sempre. Mesmos os povos mais primitivos, ainda não conhecendo a escrita, expressavam-se de forma não verbal, através de gravuras, desenhos e pinturas que faziam nas paredes do interior das cavernas, assim como através das esculturas em marfim, osso e pedra, segundo João Bucho.

 

“Tudo aquilo que sente, pense e sabe pode ser expresso através de múltiplas formas de linguagem, pelo olha, pelo movimento, gesto, riso, mímica, desenho, pintura, modelagem, escultura, pelo teatro, pela música, pela dança, pela escrita e poesia.”

(João Bucho)

 

Segundo Eurico Gonçalves (1991), um dos primeiros a defender a expressão livre em Portugal, “a criança revela-se através do que faz, pelo que os seus desenhos, pinturas e objetos devem ser observados com seriedade e não com falsas apreciações ou exageradas manifestações de êxtase, deceção ou indiferença”.

No seu livro “A arte descobre a criança”, Eurico Gonçalves ajuda-nos a perceber como a arte infantil é de extrema importância para o desenvolvimento da criança e consequentemente um adulto saudável. Nele destaca-se uma entrevista a Arno Stern, na qual explica o que significa para si a expressão: “É algo que vem do interior, das entranhas, do mais profundo do ser… é expulsar, exteriorizar sensações, sentimentos, um conjunto de factos emotivos. Como educador, crio condições para que este ato se realize o mais espontaneamente possível.”

Para Eurico, arte é uma forma de crescer.

 

“Arte é linguagem; é um meio de expressão e comunicação e por isso tem deixado um traço ao longo da história humana. Todavia, para além da sua função estética e social, a arte poderá também ter uma função terapêutica. A arte como fazer, como conhecer ou como exprimir. “

(Maria Antónia Jardim)

 

Maria Antónia Jardim diz que a arte permite-nos ir além do que nos é manifestamente visível, funcionando como um espelho onde podemos captar algo que nos era desconhecido.

 

Um único movimento, ou uma sequência de movimentos, deve revelar, ao mesmo tempo, o caráter de quem o realiza, o fim pretendido, os obstáculos exteriores e os conflitos interiores que nascem deste esforço.

(Laban)mi

Movimento Integrativo

O Movimento Integrativo é um projeto de resgate da essência humana, de autoconhecimento e de desenvolvimento pessoal. Tem por base o caminho yogui e alia diferentes expressões, desde a dança, desenho, pintura, teatro, música, biblioterapia, cineterapia, waking dream therapy e outras vivências de insight terapêutico.

Num sentido lato, o Movimento Integrativo abrange:

  • Comunidade Integrativa

Refere-se ao conjunto de pessoas que partilham um espaço físico próprio e definido para a comunidade, em que se vive a arte como terapia, onde se promove um modo de vida mais alternativo, mais natural e se abre portas a interessados neste movimento, para a realização de retiros e outro tipo de eventos.

  • Centro de aprendizagem

O Movimento integrativo define-se perante um público num trabalho devidamente estruturado e com objetivos específicos. Dependendo da sua duração, subdivide-se em:

– Sessões contínuas

Sessões regulares, individuais ou em grupo, atendendo aos objetivos definidos e ao trabalho a desenvolver, podendo ter uma duração específica ou variável.

– Retiro

Eventos de média duração – 2 ou mais dias – a realizar em diferentes pontos do país.

– Vivência

Sessão de curta duração – 1 hora, 1 tarde, 1 dia. Momento reflexivo, criativo e integrante, para a promoção do bem-estar do Ser, realizado em diferentes pontos do país.

– Palestra

Sessão de esclarecimento e aprendizagem sobre o projeto.

Em sentido restrito, o movimento integrativo refere-se às sessões do centro de aprendizagem, acompanhadas por um facilitador. Nestas, trabalha-se a respiração, a improvisação, a interação social e o modo reflexivo. Trabalha em diferentes planos, corpo físico, mental e emocional, servindo-se de técnicas ativas e expressivas, de relaxamento, de meditação, alongamentos, movimento consciente e autêntico, etc.

INTEGRA-te!!

http://www.sitarama.pt

sitarama.aveiro@gmail.com

movimentointegrativo@gmail.com

Sobre a coordenadora:

https://www.linkedin.com/in/silvia-bastos-3b247921?trk=hp-identity-name

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